domingo, 9 de janeiro de 2011

Ciclo Vicioso

Tic Tac” faz o relógio, enquanto os ponteiros andam sem parar e sem pensar no que nós, deste lado, deixamos por fazer ou até do que fizemos inconscientemente quando nunca devia ter sido assim. O tempo passa, e não volta atrás, passa sem que nós reparemos nisso, e sem que pensemos duas vezes na atitude correcta a tomar, e no modo mais certo de agir. Tudo é um vai e vem constante, e tudo acontece num simples pestanejar de olhos, em que quando os abrimos já perdemos algo importante ou já temos à frente dos nossos pés uma nova pedra, que nos faz tropeçar. Tudo acontece sem pedir licença, e muitas vezes só no final de tudo, só no desfecho da história é que encaramos a realidade e imaginamos como teria sido se tivéssemos usado a outra hipótese, ou seja, se tivéssemos feito as coisas de outra forma, se tivéssemos usado outras cartas para jogar. Mas aí é tarde, não podemos, é impossível voltar atrás e a oportunidade de “refazer” é inexistente, assim como é também na maioria das vezes possível a hipótese de corrigir e seguir em frente.Todos nós andamos tão atarefados e tão preocupados em cumprir a rotina, e em respeitar e seguir à risca todas as regras, todas as imposições, ou todas as ordens diárias, que concordemos com elas ou não, temos que aceitar, todos nós andamos tão preocupados em fazer a mesma coisa à mesma hora, porque é assim que a vida exige, que não paramos um pouco para pensar na forma inútil e supérflua que estamos a desperdiçar o nosso tempo e a queimar os segundos ou os minutos que nos poderiam ser fundamentais.Falo por mim, que estou farta deste ciclo vicioso. Farta de acordar de manhã, e saber exactamente como o meu dia se vai desenrolar, pois vai ser apenas mais uma cópia de tantos outros que já passaram até então. Estou farta de pôr o despertador para as mesmas horas, farta de estar no mesmo sítio à mesma hora de sempre a fazer sempre a mesma coisa com as mesmas pessoas pelo mesmo motivo e com o mesmo objectivo. Farta de viver nesta corda bamba, neste vício constante que não só nos vicia como nos torna dependentes da banalidade, do básico, do contrário da definição de “vida”.O tempo não pára, não nos faz esse favor. O tempo não estagna e não espera que façamos alguma coisa que deixamos pendente. Também não avança, não faz com que aqueles momentos de dor que nos parecem intermináveis passem rapidamente. Não! O tempo decorre normalmente, sem paragens, sem avanços, simplesmente passa sem que nenhum de nós dê por isso, e lhe atribua a devida importância. Como costumo dizer “a vida não pára, há sempre movimento”. Muitas vezes o que é preciso é libertarmo-nos, pararmos um pouco e pensarmos no que poderemos mudar para dar um novo alento, um novo rumo ao que poderá estar mal ou menos bem. Muitas vezes o que falta é ter consciência das dificuldades para depois ser possível ultrapassá-las! Muitas vezes o que falta é não dramatizar, ver sempre o lado positivo das coisas e nunca pensar no pior. Muitas vezes o que falta é despertar e dar conta do que andamos a perder enquanto nos afundamos nas nossas dores, nos nossos pensamentos, nos nossos maus sentimentos. Muitas vezes o que falta é dizer “chega! Eu consigo!” Muitas vezes o que falta é termos confiança em nós mesmos e acreditarmos que podemos dar um salto por cima. Muitas vezes o que falta é quebrar a rotina e inverter o ciclo vicioso que só torna a nossa vida monótona, sem interesse. Muitas vezes o que falta sabem o que é? Muitas vezes o que falta é mudar! Muitas vezes o que falta é ser feliz!

1 comentário:

Francisca Cochofel disse...

é impossível ter gostado mais, princesa*