sábado, 5 de fevereiro de 2011

Mudança (ir)reversível

Provavelmente neste momento sentir-te-ás feliz. Feliz e talvez não reconheças o peso na consciência. Muito possivelmente te identificas como não sendo o culpado de tudo o que aconteceu, como apenas alguém que, sem qualquer motivo, perdeu as pessoas que realmente gostavam de si. De que te vale tudo isso? O que ganhas com essa atitude de herói de ti mesmo? De nada te serviram os avisos, os conselhos, todas as insistências para que não escolhesses o caminho errado. Tudo em vão, pois acabaste por cometer o erro de que tanto temia, e pior que isso tudo, não reconheces que és tu quem precisa de voltar atrás. Todos os sorrisos, todas as palavras, todos… Enfim todos os momentos partilhados para ti não foram nada, e desperdiça-los assim de uma forma fútil e sem qualquer explicação. Sei que não falhei, sei que não fiz nada para que caísses nesse buraco, sei que sempre te puxei para o teu mundo. Mas não! Não destes ouvidos, não prestaste um bocadinho de atenção às pessoas que sempre te tentaram corrigir e evitar a todo o custo a tua queda. O teu orgulho foi mais forte e hoje tudo está desta forma. As pessoas a quem pertencias e talvez a quem ainda pertences? Passas por elas, e fazes de conta que elas não estão no mesmo lugar que tu, ignoras e segues teu rumo sem sequer olhar para trás! Acabas assim com tudo o que viveste, com tudo o que um dia partilhas-te. Já não queremos quem és para nós, já não precisamos da pessoa na qual te tornaste. Queremos sim quem um dia conhecemos, quem um dia foste. Sentimos falta da pessoa por quem fazíamos tudo para a fazer sorrir, e nada para a fazer chorar. Queremos-te a ti na versão original! Queremos-te a ti e o teu verdadeiro “eu”. Não faças com que tudo o que construíste te fuja entre os dedos! Volta! Volta para o teu lugar, mas volta sozinho, não tragas esse disfarce que não te assenta nada bem.Não faças isso por mim ou por qualquer outra pessoa, faz por ti, pela tua felicidade. Talvez assim ainda estejamos à tua espera.

1 comentário:

Dora Gama disse...

Escreves tão bem amor, és linda :)