terça-feira, 22 de março de 2011

Grito de Glória

Estava ela sozinha, de novo naquele local de onde já nada conhecia, enquanto do sol não restavam nem réstias de um brilho. Não sabia porque permanecia ali, porquê que os seus pés pisavam aquele solo. Apenas sabia que tinha que lá estar, que alguma parte do seu interior a incentivava a permanecer, e a puxava sempre que tentava virar costas. Tudo estava estranho, e tudo que compunha aquele lugar a transportava para outro mundo. Tudo estava diferente e apenas a brisa calma e suave permanecia desde a última vez. Tudo era nostálgico e incógnito ao mesmo tempo (…) Olhou à sua volta, e não viu ninguém. Nem marcas de uma presença se avistava. Era como se tudo lhe voltasse a pertencer exclusivamente e ela, por meros instantes. Mas mais uma coisa tinha mudado… Ela já não se sentia bem ali, já não se sentia da mesma forma. Era como se estivesse deslocada, entregue a um mundo do qual já não fazia parte. Tudo era estranho mas ao mesmo tempo lhe transmitia boas sensações e o facto de ver tudo com outros olhos agravava-lhe. Agora sim, a menina percebia o que a tinha levado até lá, o verdadeiro motivo para de novo lá ter voltado (…) Já nada a prendia àquele lugar, já nada lhe dava vontade de continuar ali. Sabendo e tendo a certeza, que a sua vida agora era outra, deu uma volta firme e afastou-se do sitio onde jamais tencionava voltar. Tinha chegado o momento em que a menina tinha a certeza do que fazia, e que não restavam dúvidas que aquilo era, não só o melhor, mas o que ela desejava fazer. À medida que se ia afastando um enorme orgulho se apoderava dela assim como o facto de se sentir concretizada. Agora, tudo se tinha invertido e o lugar era ocupado por outra pessoa que chorava ao ver aquele alguém distanciar-se. Um grito se ouviu, um suplicio a pedir regresso, a pedir que a menina voltasse. Mas não! Nada disso adiantou pois agora era ela quem não queria mais voltar. E apenas com uma palavra respondeu: “Adeus!”, pronunciou ela sem qualquer hesitação. Desta vez era ela quem gritava, mas o grito era diferente:
Era um grito de Glória!

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