quarta-feira, 2 de março de 2011

O que restou da tempestade

Estou sozinha, no meio do pouco que ainda há. Olho à minha volta e apenas consigo ver o que restou da tempestade, o pouco que sobrou do vendaval. É triste ver que tudo o que tinha condições para vencer, tudo o que podia perfeitamente triunfar se desmoronou assim desta forma e se vê reduzido a zero. Apenas as cinzas sobraram do fogo, apenas a imagem da queda se refugia na minha mente. Tudo o que parecia ser indestrutível abala-se e deixa-se vencer sem mostrar qualquer tipo de resistência. Já ninguém cá permanece, já ninguém quer ouvir falar do episódio que só para mim sempre fez sentido. Parece que para toda a gente é fácil e só a mim me custa aceitar que o fim seja mesmo este, seja mesmo agora. Apenas eu pareço revoltar-me e recusar-me a aceitar a mudança tão drástica e tudo o que ela provocou. A pouca luz que ainda existia tornou-se agora num escuro contínuo, a saída pela qual ainda poderíamos escolher ir deixou de existir e transforma-se agora num beco, num poço sem fim. Já ninguém tem mais forças para caminhar, já nenhum caminho consegue carregar com o peso dos pés de quem sempre tentou a todo o custo evitar esta tragédia. É o fim da estrada, é a chegada demorada a um tudo que se transformou em nada! Ninguém já pode apagar este cinzento que nos invade, este caminho que não tem mais por onde se alargar. Eu? Eu continuo em pé, embora mais frágil, continuo sorrindo embora por vezes seja apenas um disfarce. Eu permaneço como sempre fui e apenas sei que nada disto me matou mas algo morreu, algo dentro de mim se ressequiu e desfez em pó.


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