sábado, 14 de maio de 2011

A ironia do Amor



Continuo a achar que devia existir um manual de instruções para o amor, mais concretamente para acabar relações. A verdade, embora custe é que nós sabemos sempre começa-las, isto é, no início, há sempre uma forma existente para ser feliz. Tudo parece perfeito e achamos que já atingimos o ponto máximo de felicidade. Já para não falar daquelas situações estúpidas e completamente ridículas que é aquele tempo em que se começa a descobrir semelhanças um no outro – “Ai porque eu tenho isto igual a ele” ou “que coincidência, há tantas semelhanças entre nós, somos perfeitos um para o outro”. Sim, e quem não se identificar com as minhas palavras que atire a primeira pedra (pode mesmo pôr “não gosto” neste meu texto). Há quem diga mesmo que não há nada melhor que começar uma relação. O “novo” é atraente, é irresistível. É como se fosse outra vez a primeira vez de tudo. Nessa altura sentimo-nos estupidamente felizes que não conseguimos evitar dar nas vistas. É exactamente como Florbela Espanca diz “tudo é divino e santo assim, o mundo não é um mundo, é um jardim.” Mas e depois? Ah pois é! Isso do “depois” é inevitável e tem mesmo que acontecer. Como um dia, Picasso disse “Bom mesmo é o início, porque começa logo o fim.” E aí quando chega ao fim, é tarde de mais. E isto irrita-me, irrita-me profundamente. Caramba! Isto do amor é mesmo complicado! Começa-se do nada, vive-se uma ilusão e tudo termina num nada ainda maior ao inicial. Então para que existe? Porque ainda tentamos? Serei eu muito burra? É que juro que não entendo. Miguel Sousa Tavares bem diz “Ao primeiro parece fácil, é coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que aparece onde dantes estava a intimidade. ” (…) E pronto é assim… Mas porquê? Como pode ser? O nada passar a tudo e novamente se tornar num vazio? Ironia da vida ou não, o que é certo é que vamos parar todos ao mesmo buraco que pode ser o choro por ter terminado a saudade, a raiva ou até mesmo o arrependimento. Já para não falar que há aquelas coisas muito engraçadas que por vezes são opostas, isto é, muitas vezes a pessoa perfeita que anteriormente era torna-se num sacana, ímen dos maiores insultos possíveis e imaginários… Outras vezes parece que se santificam e que, independentemente do mal que possam ter feito serão para sempre vistos como alguém sublime, objecto de admiração. Ai, mas que coisa que é o amor! “Esse mistério que antecede a vida e sobrevive à morte, que reina como um tirano por cima de todas as coisas”… Mas sabem uma coisa? Custa-me saber que não podemos viver sem ele e que quando o perdemos, perdemos toda uma vida mas, independentemente disso tudo uma coisa vos garanto: se há coisa que eu não sinto pelo amor é amor!

2 comentários:

cláudia disse...

escreves muito bem *
a música é linda :)

Ánnyjub's disse...

essa ultima fraze..
está caliente