terça-feira, 21 de junho de 2011

A inevitabilidade obscura do fim do teu sono.



Nada parece já ser real… Tu acordas sem ninguém te pedir, olhas para mim, forças um sorriso, e voltas a fechar os olhos, adormecendo de novo na imensidão dos teus almofadões (…) Mais uma vez fico eu a observar a tua enorme agitação no sono. E fico assim, tempos a fio. Até que de novo demonstras vida, de novo decides dar sinais de ti, mas agora já não assistes à minha presença no local. Deparas-te com uma boneca, aquela que sempre esteve lá, que nunca se pode vir embora pois não tem coração, não tem sentimentos. Aquela que permanece uma vida a olhar para ti e por ti, e tu simplesmente esticas a mão, a reviras, e volta-te para o outro lado, deixando-a ali, de pernas para o ar. Mas o sono não é eterno, aliás, dura apenas um pouco mais de tempo. Desta vez, queres-te levantar, sair dessa vidinha maçadora, e quando não é o teu espanto quando reparas que já nem a boneca está lá. É mesmo verdade, já nem aquele objecto não se encontra no local onde, de uma forma ou de outra, desde sempre permaneceu. Olhas à tua volta e a única coisa que consegues ver é o vazio, a única coisa que consegues ouvir é o som ensurdecedor do silêncio, a única coisa em que consegues tocar, que consegues saciar é o inevitável nada, esse nada que sempre te esperou, que sempre foi o teu fim, o teu destino (…) E aí enches-te de raiva, aí apetece-te gritar mas estás sem voz, aí apetece-te destruir tudo à tua volta mas estás sem força, aí apetece-te correr, correr e correr, mas estás preso. Nasce o ódio. Nasce o desejo de vingança. Nasce a fúria. Mas nada pode mudar, não consegues remediar nada, pois estás sozinho, não tens ninguém para te libertar, não tens ninguém que te possa salvar(…) Pedir ajuda? Não, pois para ti é preferível morrer. Procurar uma saída? Em vão, pois é inexistente! Voltar de novo ao sono? Não consegues, pois o peso enorme que tens dentro da tua consciência, o fogo que te queima o interior e o deixa em pedaços te impede por completo. Vês-te a cair aos bocadinhos no chão, vês-te a derreter pouco a pouco, vês o teu corpo tornar-se em cinza, sem que nada possas fazer para procurar a luz. Está dia… é hora de acordar, mas não acordas, pois agora é o resto da tua vida, agora é o resto do tempo em que respiras, vivendo acordado no pesadelo, vivendo a dor que sempre deste a quem muitas vezes te viu acordar, a quem sempre te esperou, a quem sempre viveu por ti, a quem sempre fizeste sofrer. E é assim, nada mais te adianta fazer, de nada mais te adianta lutar, tens finalmente o que mereces, e já ninguém quer saber, já ninguém se importa. Pois nunca deste ouvidos, nunca acreditaste que, pareça possível ou não, a boneca com quem sempre brincaste, um dia pode mesmo ganhar vida, e fugir pelo seu próprio pé, e nesse momento? Nesse momento já não tens ninguém que te possa acudir, que te possa, como sempre fez, tirar-te da depressão, do poço no qual sempre teimas em cair.

7 comentários:

Andreia Cristina disse...

ADORO !!!!!
O meu preferido +.+
Está mesmo, ai nem sei... tão verdadeiro e real! É perfeito <3

Natalia Smirnova disse...

Olá, passando aqui pra dar uma conferida no seu blog (está ótimo) e para lembrar que está no ar o teaser do novo capítulo de “Illegitimate”. O capítulo completo está previsto para 28/06/11. Te vejo no POET http://pagesoferasedtext.blogspot.com/ Ate mais!

carina, disse...

obrigada :))*

cláudia disse...

obrigada querida :3

Francisca Cochofel disse...

sabes bem que nunca te vou deixar miúda! deixa passar os exames e saímos, fica prometido. e quanto ao texto, adoroooo, como sempre*

sofia disse...

é mesmo *.*
adorei o texto *

disse...

escreves tao bem rute, mesmo :)