terça-feira, 9 de agosto de 2011

Talvez saiba mas nem queira saber.

Às vezes eu tento escrever, tento fazê-lo em série. Palavras bonitinhas, coisas lindas para agradar aos leitores, para que eles apreciem cada letra e, quem sabe, se expirem no que lêem. E por vezes consigo. Sim, por vezes, até frequentemente, fico feliz com o meu trabalho e leio vezes sem contas para modificar até tudo estar perfeito. Mas outras vezes fico frustrada por não conseguir. Há aqueles momentos em que, por muito que queiramos definir o que quer que seja, por muito que tentemos transformar em palavras o que estamos a sentir, tudo sai ao lado. Não arranjo palavras perfeitas, frases certas, nem tão pouco verdades puras para que a minha redacção fique do nível que quero. Pois por vezes tudo é uma incógnita. Tento entender os outros em vão, pois não consigo; e aí questiono a minha inteligência, aí duvido dos meus dotes intelectuais ou até mesmo da minha perspicácia, pois não arranjo solução. E só no fim me lembro de mim. Só no fim me recordo que, num lado ou noutro, de pés assentes ou à deriva, existe algo mais que “o outro”…existe um “eu”. É nesse momento que me deparo com o ser mais incógnito à face da terra. Tento, tento, e volto a tentar definir-me, criar bases e alicerces em mim  mesma, mas não, não consigo, pois tudo se resume à palavra “confusão”. E depois fico triste, é claro que fico, pois aquele meu objectivo de tentar entender o que mais me preocupa deixa de fazer sentido e torna-se numa utopia, pois até para mim mesma eu continuo a ser alguém rasurado, algo embaciado...quem nunca irei entender, ou talvez quem nunca eu queira perceber.